Talvez tenha chegado demasiado tarde para alguns de vocês, mas há um tópico que preocupa todos aqueles que se encontram no período de transição entre o ensino básico e o ensino secundário: a escolha do curso. Não vos vou falar sobre saídas profissionais de cada curso, porque isso é o que toda a gente fala, mas sim de desejo (isso mesmo, desejo).
Quando me deram a escolher, eu já estava decidida: queria Línguas e Humanidades. Para mim, superar a opinião de todos os outros que me aconselhavam Ciências e Tecnologias foi tarefa difícil. Como sempre tive boas notas, acho que me viam como médica ou engenheira, mas simplesmente eu não tenho aquela paixão pelas ciências (apesar de não desgostar de todo) como tenho pelas humanidades. Não sei, talvez seja genética (enquanto que a minha família materna é mais ligada às ciências, a minha família paterna é mais ligada às línguas), ou talvez seja mesmo meu. Na verdade, não me imagino nem em aulas de físico-química, nem de matemática. Apesar de ser boa aluna a ambas, nunca consegui gostar verdadeiramente das disciplinas.

Aquilo que mais me disseram quando anunciei a minha decisão foi que tinha demasiado potencial para o desperdiçar no desemprego, seguindo o mais fácil. Alô? A sério? Demasiado potencial para ser desperdiçado no desemprego? Penso que, quando alguém é realmente bom e ama aquilo que faz, chega onde quiser (claro, com esforço e dedicação à mistura, como em tudo).
Os argumentos do mais fácil e do desemprego são os mais usados quando um jovem diz que quer seguir um curso que não Ciências e Tecnologias, mas, na verdade, há sempre emprego! Pode não ser o ideal dentro do ramo, mas sempre é melhor do que exercer um cargo completamente desinteressante e alheio...
Quanto à facilidade, o segredo não está em enfrentar o mais difícil com notas suficientes para passar, mas sim em enfrentar opiniões com notas de excelência! A facilidade também é bastante relativa. Ninguém pode dizer Matemática é mais difícil do que História, primeiro, porque são disciplinas completamente diferentes (ambas exigem bastante do aluno: uma puxa pelo raciocínio lógico, outra pelo espírito crítico e pela reflexão), segundo, porque esse tipo de opiniões difere de pessoa para pessoa, já que não somos todos iguais.

Conheço muitas pessoas que seguiram Ciências e Tecnologias, já que lhes disseram que esse seria o único curso com saída profissional em Portugal. Acho ridícula esta ideia, parece que as pessoas foram cegadas pelo dinheiro, ou lá o que é... o dinheiro é importante, sim, mas não pode ser o centro da vida de alguém! Há coisas muito mais importantes que dinheiro... Deve ser muito giro olhar para o nosso passado e pensar: não fui feliz, porque só pensei no dinheiro. Portanto, escolham bem, e lembrem-se: a vida é vossa, não dos vossos familiares, nem dos vossos professores, quanto menos dos vossos amigos!
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