O impacto da transição entre o nono e o décimo ano é, para muitos, motivo de preocupação. Para ser sincera, não sabia muito bem o que esperar neste nova etapa da minha vida. Só sei que ia bastante confiante, os estudos corriam bem até à data e não tinha grande necessidade de estudar para ter boas notas (com boas notas refiro-me a «muito bons»).
Depois caí na realidade. A professora de Literatura sempre a puxar por nós, SEMPRE. Trabalhos de casa? Até à raiz dos cabelos. A matéria de História deixou de se cingir a datas difíceis de decorar ou a nomes de gregos que se encontram nas obras de Homero e começou a pedir reflexão. O Alemão representou, a meu ver, uma escapatória divertida e relaxada à tensão de todas as outras aulas. E, para piorar, sabem aquela sensação de que só vão ter dezoitos e dezanoves? Não passa de uma ilusão.

As notas dos primeiros testes chegaram. Não foram as melhores. Felizmente, a minha pior nota ficou-se pelo catorze vírgula seis (não sei se já repararam, mas tenho uma panca por escrever números por extenso), mas não deixou de ser uma das maiores desilusões que tive até hoje (sim, eu levo isto muito a sério). Percebi que tinha de tomar medidas! Deixei de passar os fins-de-semana a molengar e comecei a estudar a matéria da semana ao sábado de manhã. Organizei-me de modo a ter tempo para tudo, inclusivé relaxar, e procurei na correção dos testes um refúgio para aprender a responder como os professores querem.

Na second round de testes, as coisas correram melhor. Ainda assim, no fim do primeiro período não apareceram as notas que ambiciono (acabei com média de dezassete vírgula um). Tirem o cavalinho da chuva se acham que vão para Línguas e Humanidades para brincar, pelo menos na minha escola, com os meus professores e alguns dos meus colegas é um curso encarado com seriedade. Não é uma área fácil, exige bastante tanto da nossa cultura geral quanto do nosso sentido crítico. Habituem-se a trabalhar bem os documentos porque, no secundário, uma das palavras mais ouvidas é «fundamentação». Se querem ir para Humanidades para fugir à Matemática ou à Físico-Química, esqueçam! Vão ter disciplinas igualmente complexas pela frente (acreditem em mim que passei quase três meses debruçada sobre lírica trovadoresca, que, apesar de escrita em Português, é de muy difícil interpretação). Apesar do trabalho quase exaustivo (vá, não é assim tão mau), estou a gostar bastante do curso e estou certa de que fiz a escolha correta.
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