Exames: tudo ou nada

Ainda não cheguei lá, mas já sinto que me censurado. As notas dos exames nacionais (quer de secundário, quer de básico) saíram esta semana, semana em que estive no Porto, rodeada de jovens (pouco mais velhos que eu) angustiados pelo futuro que se avizinha.

O sentimento de revolta generalizou-se, embora a um ritmo irregular, dada a velocidade com que cada um tomava conhecimento dos seus resultados. Três anos a construir uma nota sólida e agora isto, diziam. O desânimo, aquele que marca uma segunda fase de exames, possuiu estes jovens: sedentos por descanso, depois de nove meses de estudo intenso.


Será justo? Será justo construir toda uma média, ao longo de anos de estudo, para não conseguir entrar naquele curso por causa de um exame? Um exame, no meio de tantos outros. Um exame, numa hora, num dia, num mês. Um. Terá este um validade suficiente para deitar por terra todo o esforço imenso que a maioria efetua? Não!

Basta! Para além de forçarem adolescentes de catorze anos a estreitar as suas opções mal entram no secundário, ainda restringem o seu futuro com exames que em nada comprovam as suas competências? Para além de não implementarem estratégias de avaliação adequadas aos vários perfis de aluno, ainda prejudicam todos aqueles cujo forte não é uma prova escrita?

Não venham com a conversa do exames são necessários, pois constituem as provas de acesso aos diversos cursos superiores. Porque é que não exigem que determinada disciplina conste na formação do aluno e que tenha determinada avaliação final mínima, em vez de requisitarem provas de sorte? Se os jogos de azar não são permitidos a menores, porque é que os exames são?

Enquanto jovem, jovem que estuda, que ambiciona, que deseja, não compreendo como é que um sistema de ensino destes é capaz de formar jovens capazes e competentes. Aliás, não consigo detetar nada positivo nas escolas portuguesas, a não ser aquele professor ou outro que sabe o que faz e que ensina como poucos.

Resta-me desejar boa sorte a todos aqueles que se vão aventurar na segunda fase dos exames nacionais e aguardar que atinjam os seus objetivos. Não se deixem abater! Lutem, esta é e vai ser a vossa vida. Não desistam de vocês, por mais injusto e difícil que seja.

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